Carrinho

0 item - R$0.00

Sala dos Professores

capa-sabichoes-p-site

SaBichões

Autor: Marta Cocco
Ilustrador: Vanessa Prezoto

OBRA APROVADA NO PNLD LITERÁRIO 2018

Categoria: 4 – Código  0245L18601 (1° ao 3° anos do ensino fundamental)

indicada também para pré-escola

 

COMENTÁRIOS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES SOBRE O LIVRO SABICHÕES – PARA PROFESSORES

INFORMAÇÕES PARATEXTUAIS (que contextualizem autor e obra, motivem o estudante para a leitura, justifiquem a correspondência entre a obra, a categoria, os temas e o gênero literário):

O livro SaBichões foi aprovado pelo MEC para integrar o catálogo dos livros  do programa PNLD 2018. É composto por 14 haicais à brasileira. À brasileira, porque não seguem rigorosamente o modelo japonês que chegou ao Brasil no começo do século 20. Trata-se, portanto, de uma apropriação do gênero poema na forma haicai, associado ao gênero verbete (sugerido pelos títulos), que pode ampliar, indiretamente, a visão dos alunos sobre o gênero poema e sobre a liberdade de criação.

Na tradição japonesa, o haicai deve ter 17 sílabas poéticas: 5 no 1º verso, 7 no 2º e 5 no 3º. Pode haver título ou não. O haicai também é chamado de Poesia da Natureza. O ego humano não conta, o ser humano é parte da natureza, não um ser superior a outros seres. Geralmente fala de um evento natural, do tempo passando agora, não do passado. Não apresenta juízo de valor, dizendo se uma coisa é correta ou errada.

Segundo o professor e pesquisador da UNICAMP Paulo Franchetti, “Haicai é a arte de, com o mínimo, obter o suficiente” e não dizer o máximo com o mínimo de palavras.

Seguindo essas premissas é que este livro foi criado, segundo a autora, Marta Cocco. “Escolhi 14 animais aleatoriamente,  mas que fizessem parte da realidade brasileira, destacando, em cada um, uma característica que chame a atenção. Busquei algumas coisas na memória da infância, naquilo que me deixava curiosa, como por exemplo: por que a vaca, de uma hora para outra começava a mascar algo na boca, não estando no campo ou no pasto?”

Os poemas descrevem uma cena dos animais na natureza, e o título e as ilustrações, às vezes, acrescentam elementos do cotidiano dos seres humanos.  A unidade do livro é dada pela sucessão dos momentos de um dia, desde o amanhecer até a noite. O momento de despertar, de ir para o trabalho, de se alimentar, de brincar, de fazer caminhadas, de jantar e de vigiar à noite. Cada um apresenta uma cena composta de duas ações. O animal, bicho sabido, faz uma coisa e outra. Essas ações geralmente se complementam. Todos os poemas possuem esta composição:

1º verso) nome do animal;

2º verso) duas ações, ligadas a alguma habilidade ou característica do animal;

3º verso) o complemento ou o resultado da ação.

 

Além da produção de leitura que será feita pela parte verbal, pelo poema propriamente dito, o livro também propicia mais significados a partir do não verbal, das ilustrações. É muito importante que a criança, desde cedo, fique atenta aos vários significados que um texto literário, ilustrado ou não, pode provocar. Os significados não estão dados no texto, são produzidos na interação entre o leitor e o texto.

O livro pode ser lido, inicialmente, por completo, de modo livre, em que cada criança explorará o texto e as ilustrações sem a ajuda do/a professor/a. É muito importante este momento inicial de “sentir” a poesia, vivê-la, cada um de um jeito particular. Depois, os poemas poderão ser lidos, cada um em uma aula diferente, para, com a ajuda do professor, haver um aprofundamento na produção de leitura.

Esta sugestão vale para o livro todo: o/a professor/a, como um mediador da leitura,  pode instigar as crianças a atribuírem significados à ilustração e a pensar de que modo ela se relaciona com o conteúdo do poema.

Os poemas não possuem ponto final, como se ensina na escola, quando a criança escreve. O/a professor/a pode explicar que se trata de licença poética, que a poesia tem a liberdade de brincar com as palavras e não seguir rigorosamente as regras de pontuação. Entretanto, em outros tipos de textos, que pedem formalidade, devemos seguir as orientações da gramática normativa.

 

A faixa etária recomendada para este livro são os anos iniciais do ensino fundamental I.

 

O livro se destaca por estimular as crianças a desenvolverem afetividade com os animais e outros seres da natureza, a compreenderem a cadeia alimentar como um requisito de equilíbrio do sistema natural, a olharem para a poesia e observarem como há jogos com o som e o significado das palavras e a expandirem seu potencial imaginativo a partir do que sugerem as ilustrações, favorecendo a ampliação do repertório de leituras das crianças.

 

MATERIAL DE APOIO

Pré-leitura

Perguntar às crianças, oralmente, quais animais elas conhecem e o que esses animais sabem fazer.  O professor poderá pedir que desenhem este animal numa folha de papel sulfite. E guardar os desenhos. Depois da leitura do livro, poderá retornar aos desenhos e pedir que cada um escreva um poema de três versos que fale sobre as habilidades desse animal escolhido.

Pós-leitura

Como atividades de produção de leitura mediadas por professores, apresentamos as seguintes propostas para cada poema, lembrando que são apenas sugestões, cada professor, conhecedor da sua turma e da realidade da sua sala de aula, poderá adaptar estas sugestões livremente.

 

COMENTÁRIOS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES

POSSÍVEIS ABORDAGENS INTERDISCIPLINARES

TÍTULO – Despertador

POEMA

A arara

abre o bico e dispara

algazarra na mata

 

Esse poema representa a cena do amanhecer. O objeto despertador pertence ao mundo dos humanos. Quem, dentre os animais, teria a característica de fazer um som estridente? A arara é um deles, pois seu som é muito forte. A representação do som contundente da arara é reforçada pela assonância da vogal a. (a arara abre dispara algazarra mata – todos os “as” contam como repetição, mas assinalamos apenas os tônicos, que são os que sobressaem na pronúncia.) A ilustração também reforça isso com a figura do megafone.

Sugestão: o/a professor/a pode perguntar às crianças quantos “as” existem no poema. Pedir para lerem em voz alta salientando o “a”. As crianças irão perceber que essa repetição do “a” provoca uma sonoridade. (O “a” é uma vogal sonora, oral, aberta.) É um exercício para despertar a consciência de que o poema é um tipo de texto que valoriza bastante o som das palavras.

Com cartolina, pode-se fazer um cone, imitando um megafone para as crianças brincarem com o som.  Esse cone poderá ser aproveitado em outros poemas a seguir.

Observação: as crianças poderão perguntar: Por que não o galo no lugar da arara? Poderia ter sido o galo, que já é considerado um despertador. O professor pode dizer que essa é uma pergunta que pode ser feita à autora, mas eles também podem levantar hipóteses sobre essa escolha. Uma hipótese nunca é uma certeza. Muitas vezes, nem o autor sabe por que fez certas escolhas.  Será que foi por que a imagem do galo associada ao despertador já é muito comum, muito “batida”, e a poesia está sempre em busca de surpresas? Talvez sim, talvez não.

Também é importante o professor ensinar, desde cedo, que o leitor tem total liberdade para interpretar um texto, a partir do que o texto sugere. Não é o autor que tem o controle da interpretação.

 

TÍTULO – Leque

POEMA

A borboleta

abana e encanta

o azul da manhã

 

Neste poema, destaca-se o movimento do abrir e fechar das asas da borboleta. Como se fosse um leque que abre e fecha. O leque é um objeto bonito, usado por mulheres para abanar o calor, está ligado à ideia de elegância e suavidade, que são atributos das borboletas. A cor azul é apropriada para o começo da manhã, o sol ainda não está forte, está suave. Essa suavidade é reforçada pela assonância do ã, desta vez, uma vogal nasal  (abana, encanta, manhã).

Sugestão: o/a professor/a pode motivar as crianças a perceberem a diferença entre o som do “a” e do “ã”, pode levar um leque para a sala de aula e imitar o movimento das asas da borboleta. Ou pode fazer uma brincadeira pedindo que as crianças simulem esse movimento com os braços, caminhando pela sala, de modo suave, pode sugerir desenhos de borboleta no caderno.

 

TÍTULO – Carriola

POEMA

A formiga

carrega e corre-corre

na trilha do trampo

 

A carriola é um objeto de trabalho, usada para carregar coisas.  E quando se fala em trabalho, uma imagem “clichê” vem à nossa mente. Aqui a autora usou uma imagem bem conhecida, bem comum, que é a da formiga representado o trabalho (ideia popularizada pela fábula A cigarra e a formiga, conhecida mundialmente e que até hoje inspira novas versões). A novidade fica por conta do próprio poema que explora o som do “t” e do “r” para representar o som de barulho, agitação e rotina. Quando se repete o som de uma consoante, temos uma figura de linguagem chamada ‘aliteração’.

carriola carrega corre-corre trilho trampo

Sugestão: o/a professor/a pode solicitar, oralmente, que as crianças descrevam sua rotina. E falar sobre hábitos comuns na nossa cultura como acordar, se alimentar, escovar dentes, ir à escola, brincar, enquanto os adultos vão todos os dias para o trabalho. Cada pai e cada mãe tem sua profissão e sua rotina. As crianças poderão desenhar uma da pessoa da família em uma cena de trabalho. O/a professor/a poderá falar sobre a diferença entre trabalho individual e trabalho coletivo. Também podem fazer o som do tr e perceber que esse som dá ideia de barulho, agito, e não de suavidade como o ã visto anteriormente.

O professor pode chamar a atenção, caso tenha havido a leitura, no primeiro poema, de que: em vez de o galo foi escolhida a arara para simbolizar o despertar pela hipótese de fugir ao lugar-comum. Mas, neste poema, justamente o lugar-comum foi a matéria prima. Então, se tal hipótese justificou aquela escolha, não justifica esta. Lembrar que, na nossa cultura, a imagem da formiga como símbolo do trabalho é bastante recorrente. Então, a literatura, às vezes rompe com aquilo que já é comum na cultura, já está estabelecido, às vezes não, apenas repete.

 

TÍTULO ­- Engenho

POEMA

A aranha

espicha e cose

os pilares da casa

 

A palavra engenho, antigamente, era usada para significar talento, capacidade criativa, usava-se muito como qualidade dos bons poetas.  No livro todo, os animais são considerados engenhosos, sabidos. Nesse poema, a qualidade foi atribuída à aranha, que sabe fazer sua casa, sua teia, como se fosse uma engenheira. (Há também o significado de engenho como máquina de fazer algo, como o engenho de açúcar, mas esse significado não é muito apropriado para esse poema em específico).

A teia é uma linha muito fina e as linhas estão costuradas umas às outras. Essa ideia, no poema, é sugerida pelo verbo coser. A delicadeza da linha, da teia, também é reforçada pelo som do z nas palavras casa e cose. Já a forma verbal espicha, pode provocar uma remissão à imagem do homem-aranha, personagem muito conhecido das crianças.

Sugestão: as crianças podem desenhar a casa dos seus sonhos, como se fossem arquitetas, engenheiras. Podem desenhar a fachada e a planta baixa.

 

TÍTULO – Laboratório

POEMA

A abelha

suga e centrifuga

o suco da flor

 

Esse poema pode deixar as crianças muito curiosas: como uma abelha transforma o néctar da flor em mel? Tanto a parte verbal como a não verbal, juntamente com o título, sugerem que o corpo da abelha seja uma máquina por onde entra “o suco da flor”, que passa por um processo (a ideia da centrífuga lembra algo que gira, uma máquina) e resulta em mel. A palavra mel não é mencionada, mas está subentendida. Observar que existem vários tipos de abelhas, mas as que produzem mel são chamadas de operárias. Observar que esses primeiros poemas do livro enfatizam o trabalho. Notar, no poema, a assonância da vogal “u” (suga, centrifuga, suco). Para emitirmos essa vogal, movimentamos a boca como ela fosse um canudo, um local de passagem do ar.

Sugestão: fazer uma pesquisa na net sobre as abelhas que produzem mel e fazer em sala alguma receita culinária que use esse ingrediente. Também pode ser feita uma pesquisa sobre os benefícios do mel para a saúde humana.

Observação: Algumas crianças podem questionar ou observar a cor rosa do mel, no canudo, na ilustração. Aí o professor pode novamente falar em liberdade de expressão, não é necessário que a ilustração seja fiel à realidade, o artista é um criador, um “inventador”.

 

TÍTULO – Estilingue

POEMA

O sapo

assopra a língua e zapt:

a mosca tá no papo

 

O estilingue é um objeto usado para caçar passarinhos. Em algumas regiões é chamado de bodoque. Antigamente os garotos usavam muito, hoje, quase não se ouve falar e esse tipo de prática não é incentivada, pelo contrário,  defende-se a preservação  dos animais e outros seres da natureza. O estilingue é feito de uma forquilha de madeira e uma parte elástica de borracha. Essa parte elástica foi comparada à língua do sapo que se estica para comer mosquitos, etc.

Observar, na sequência do dia, que o texto anterior falava em preparação de alimento e, agora, no almoço propriamente dito. Observar as rimas “sapo” e “papo”, que também combina com zapt, além do som do “s” (sapo, assopra).

Sugestão: fazer uma pesquisa sobre cadeia alimentar. O/a professor poderá levar para a sala aquelas línguas de sogra usadas em festas de aniversário, para as crianças exercitarem o movimento da língua do sapo.

Observação: talvez a criança estranhe o fato de o sapo estar em cima de um jacaré, na ilustração, uma vez que o jacaré come sapos, eles não são amigos. Aí o/a professor/a pode, sem ir diretamente ao assunto, induzir a criança a pensar na possibilidade de a ilustração sugerir que: assim como o sapo se alimenta de um animal menor, ele também pode ser alimento de um animal maior. O tema da cadeia alimentar pode causar desconforto. Mas, assim é a vida natural e é isso que dá equilíbrio ao planeta.

 

TÍTULO – Chiclete

POEMA

A vaca

engole e desengole o pasto

pra mascar outra vez

 

Quem já viu uma vaca ruminando? Parece que ela está mascando chiclete. A vaca ou o boi pastam o capim, geralmente caminhando, e depois, quando estão parados, descansando, aquele capim mastigado (chama-se bolo alimentar) volta do estômago (rúmen) para a boca para ser mastigado e engolido novamente. Por isso, os bovinos são chamados de ruminantes. Nessa remastigação, há bastante produção de saliva, por isso esses animais babam. O par de verbos engole/desengole ajuda a criança a abstrair o processo. A ilustração sugere uma porca com “nojo” do que a vaca está fazendo. Isso poderá ser lido como uma ironia, pois, em nossa cultura, quando alguém não é muito caprichoso, costumamos chamar/ xingar de “porco”. Também, pode-se interpretar a cara de nojo da porca como se ela estivesse estranhando o que a vaca está fazendo, pois ela não rumina. Os bois são ruminantes, os porcos não são.

Sugestão: assistir a um vídeo que mostre uma vaca ou um boi ruminando. A pesquisa sobre o processo de ruminação é um pouco complexa, talvez não seja adequada para crianças. Nem todos os poemas precisam gerar atividades. Talvez seja apropriado para explicar às crianças que os chicletes causam cáries, porque contém açúcar, que é feio mascar chiclete com a boca aberta, etc.

 

TÍTULO – Folga

POEMA

O jacaré

abre a boca e espera

passarinho lhe escovar os dentes

 

Esse poema, depois do almoço, aborda o momento de escovar os dentes. E também mostra que, na natureza, muitos animais ajudam-se, como por exemplo, o jacaré e um tipo de pássaro chamado palito. Os jacarés costumam ficar de boca aberta por causa do calor e aí os passarinhos comem os restos de comida que ficam entre os dentes, limpando-os. O título folga pode ser lido como a folga, a sesta que algumas pessoas costumam fazer depois do almoço. Também remeter a folgado, uma vez que o jacaré fica numa boa enquanto o passarinho limpa seus dentes, além de outras possibilidades.

Sugestão: convidar um dentista para falar sobre a importância de cuidar dos dentes e qual a maneira correta de escová-los.

 

TÍTULO – Peraltice

POEMA

O macaco

salta e se solta

dos braços da árvore

 

Este poema evidencia a tarde como um período de brincar. De fazer peraltice. De preferência com amigos. O macaco está brincando com a árvore. As formas verbais salta e se solta dão ideia de movimento, de alegria, combinando com braços, que sugere abraçar, estar junto.

Sugestão: ler este poema antes do recreio ou da hora de brincar no parquinho, ou da aula de educação física. Falar sobre a habilidade dos macacos em pular e subir em árvores, e como as árvores são importantes para eles se sentirem felizes. E são importantes para nós também, são verdadeiras amigas.

 

TÍTULO – Acrobacia

POEMA

O peixe

afia e desafia

as lâminas das águas

 

O peixe nada com tanta desenvoltura, que desliza na água. Essa a ideia que o poema sugere. Já a ilustração propõe uma leitura além. O desafio pode ser o de que, sendo acrobatas, nadando e dando saltos na água, os peixes corram o risco de servirem de alimento de pássaros, por isso, saltar é um duplo desafio. Também há a sugestão do desafio que os peixes enfrentam para poderem se reproduzir, no período chamado piracema. Observar a ligação entre afiar e lâmina, sugerindo que o peixe tenha a capacidade de cortar as águas com o próprio corpo, como se fossem uma faca.

Sugestão: fazer uma pesquisa sobre a piracema, sobre a legislação da pesca nesse período. Se a escola tiver aulas de natação, ler o poema antes da aula e brincar com acrobacias dentro da água.

 

TÍTULO – Percussão

POEMA

O cavalo

trota e galopa

no longe dos ventos

 

Esse poema aborda a diferença dos ritmos do cavalo quando corre. O trote é mais curto e o galope é mais alongado e rápido. As formas verbais ajudam a reforçar essa ideia, uma vez que trota tem duas sílabas e galopa tem três. A imagem visual das palavras também reforça isso. Pode evocar imagens de liberdade, de correr ao ar livre, de se sentir solto num espaço de natureza, não urbano (nos longes dos ventos).

Sugestão: o/a professor/a pode, com a ajuda de alguém que tenha conhecimento musical e/ou com alguns instrumentos (latas, colheres de pau, etc.) simular diferentes ritmos de percussão. Falar sobre a importância da música, sobre como ela também nos dá sensação de viagem, de estarmos andando no longe dos ventos. Pode-se usar uma música instrumental e fazer uma atividade de relaxamento.

 

TÍTULO – Estilo

POEMA

A tartaruga

anda e tira onda

na reta da pressa

 

Esta é a hora da caminhada, no fim da tarde, prática muito comum nas cidades.  O título estilo remete a estilo de vida. Muita gente está preocupada com qualidade de vida, por isso cuida da alimentação, faz atividades físicas. Muitos adultos já se deram conta de que é importante cuidar da saúde, não fumar e não ingerir bebidas alcóolicas, ou não ingerir em excesso. Outra leitura possível é a de que algumas pessoas adotam um estilo de vida mais lento, trabalhando menos, consumindo menos, tendo custos mais baixos, ao passo que outras trabalham muito para poder manter um custo de vida alto. “Tirar onda” é uma gíria que pode significar um certo deboche para quem vive correndo, tem uma vida muito agitada, não tem tempo de curtir a família, os amigos, etc. É claro que estamos falando da situação de pessoas que podem escolher entre um estilo e outro, o que, infelizmente, não ocorre com a maioria que precisa trabalhar muito porque ganha pouco e só consegue atender às principais necessidades de sobrevivência.

Sugestão: fazer uma caminhada em algum bosque ou parque, ou no bairro onde está a escola, ou no pátio da escola, enquanto o/a professor/a vai conversando com os alunos, questionando sobre hábitos saudáveis, etc.

Observação: a ilustração pode evocar a memória discursiva da criança que já tenha ouvido ou lido a fábula da tartaruga e da lebre ou coelho, que fala da disputa que esses animais fizeram.  É possível que alguma criança faça a leitura de que a tartaruga está disputando corrida com outros animais e trapaceia, usando um skate para chegar primeiro. É importante que o/a professor não estimule essa leitura, pois trapacear é uma prática imoral. Como mediador, pode dizer que, nesta ilustração, não há a intenção de disputar nenhuma corrida, pelo contrário, o poema está “tirando onda” das pessoas que têm muita pressa, que estão sempre super ocupadas, sugerindo um estilo de vida mais tranquilo.

 

TÍTULO – Astúcia

POEMA

A onça

se faz de sonsa e alcança

o jantar pra sua pança

 

Chegou a hora do jantar.  Geralmente as onças caçam à noite e o sucesso da caça tem muito a ver com o fato de as onças não fazerem barulho, espreitarem a caça antes de começar a capturá-la, serem astutas. Novamente surge o tema da cadeia alimentar que, inevitavelmente, aborda o fato de que para uns animais viverem, outros têm de morrer. Essa é uma ordem da natureza. Pode-se, havendo interesse em aprofundar o assunto, tratar da morte de forma mais leve, uma vez que tudo é cíclico na natureza, nada se perde, tudo se transforma, segundo a lei de Lavoisier.

Observação: É possível que as crianças fiquem com dó do coelho. Aí o professor pode intervir dizendo que ele está vivo dentro da barriga e muito bravo, conforme sugere a ilustração. A ilustradora teve esse cuidado, já que a criança pode recorrer, mesmo inconscientemente, à sua memória de outras histórias em que a barriga do lobo mau foi cortada e as personagens foram salvas (como na história da Chapeuzinho Vermelho e dos 7 Cabritinhos.)

Sugestão: pedir aos alunos que escrevam ou desenhem no caderno quais alimentos compõem o cardápio da hora do jantar em sua casa.

 

TÍTULO – Vigia

POEMA

O vagalume

liga e desliga

o negrume da noite

 

Anoiteceu. O dia acabou. A maioria vai dormir, mas muitos trabalham justamente nesse horário, é o caso dos vigias, dos guardas-noturnos. O vagalume, com sua luz que acende e apaga, parece um vigia. É muito bonita essa cena, vale a pena vê-la à noite.

Sugestão: recomendar às crianças, quando forem a algum sítio, fazenda, ou se tiverem jardim em casa, observar, na companhia de um adulto, à noite, se existem vagalumes. Na cidade, por causa das lâmpadas dos postes das ruas, é mais difícil de observar.  Pode-se brincar de vagalume, solicitando às crianças que levem lanternas (ou usar a do celular, caso possuam) para a sala previamente escurecida.

Marta Cocco é natural de Pinhal Grande-RS, formada em Letras, doutora em Letras e Linguística, professora de Literaturas da Língua portuguesa na graduação e na pós-graduação da UNEMAT-MT. Faz parte do grupo de pesquisa LER: Leitura, literatura e ensino – UNEMAT/CNPq. Já publicou cinco livros de poemas (Divisas, Partido, Meios, Sete Dias e Sábado ou Cantos para um dia só), dois de crítica literária (Regionalismo e identidades: o ensino da literatura produzida em Mato Grosso, Mitocrítica e poesia), um de contos (Não presta pra nada) e, com este, três infantis (Lé e o elefante de lata, Doce de formiga e SaBichões).

Vanessa Prezoto estudou design gráfico na Unesp e trabalhou em agências e estúdios de design por vários anos. Participou de diversos cursos e oficinas de ilustração e voltou a praticar o desenho e a pintura tradicionais. Atualmente, grande parte do seu tempo é dedicado às ilustrações, principalmente para livros. Neste, trabalhou com uma mistura de tintas, giz e lápis de cor. Seus outros trabalhos podem ser vistos no: cargocollective.com/ilustrasvanessaprezoto

Para maiores informações sobre as autoras Marta Cocco e Marli Walker, consulte neste site (Dowload de E-book) o volume 3 da Antologia Poética Comentada Nossas Vozes, Nosso chão.